LIVRO Certidão Negativa de Óbito PDF Márcio Noal

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Resumo

Com o belo Jangadas, seu romance de estreia lançado em meados de 2016, o músico, roteirista, dramaturgo, poeta e escritor Márcio Noal já havia mostrado que não queria ape-nas contar uma história. Queria também – e principalmente – contá-la de um jeito subversivo, complexo, inovador, violando os cânones da narrativa tradicional e oferecendo ao leitor uma nova experiência literária. Além de aproveitar o fluxo de consciência e os múltiplos narradores, característica de clássicos como Joyce e Faulkner, Noal introduziu duas inovações: a falta de ponto final nas falas e a omissão do narrador nos diálogos.Em Certidão negativa de óbito, seu novo livro, as inovações técnicas continuam. Ao folheá-lo, a primeira coisa que chama a atenção é a estrutura formal dos textos. Exceção feita ao conto que dá título ao volume, todas as histórias se transvazam em um único parágrafo, como se o autor estivesse nos indicando que, para melhor apreciá-las, é preciso lê-las de um fôlego só. Contudo, a escolha do parágrafo único não significa ausência de diálogos. Felizmente, diga-se de passagem, pois quem leu Jangadas sabe que Noal é, sem qualquer exagero, um dos grandes dialoguistas da literatura brasileira. Os diálogos aqui continuam presentes, mas diluídos no corpo do texto, indicados apenas por aspas. Um notável exemplo dessa maestria dialógica de Noal pode ser vista no embate furioso do casal Renée e Viviane, no magnífico Café la paix, um dos contos mais inspirados da obra (um dos meus preferidos).Que não se interprete a valorização da técnica narrativa como um mero exercício de pirotecnia literária, como um recurso espalhafatoso para camuflar a falta de conteúdo. Estamos diante de um autor que tem muito a dizer, que mergulhou fundo na vida e na alma humana e de lá trouxe as piores notícias. Certidões não é um livro para os fatigados que procuram consolo, nem para os deserdados que buscam esperança. É um livro para as almas fortes, para os que conseguem digerir as verdades mais brutais e ainda assim permanecer de pé.Diferentemente do que acontecia em Jangadas, em que o objetivo era a crítica social, aqui o foco é o indivíduo com seus dramas, suas frustrações, seus sonhos desfeitos, suas esperanças destruídas. Com seu olhar agudo e impiedoso, Noal faz desfilar ante nossos olhos uma galeria de personagens despedaçados, entediados, alienados e, principalmente, solitários. A irremediável solidão é um traço fundamental de todos nós, e não há nada, sugere Noal, capaz de nos fazer sentir menos solitários nesse mundo. A família é apenas um ajuntamento de pessoas que se suportam a duras penas, como vemos em Olhos mortos, em que um pai faz de tudo para não ter que voltar para casa e reencontrar esposa e filhos. O amor também é inútil, pois, como nos mostra Etipatogenia e Crônica do amor indeferido, ele é invariavelmente um desencontro de afinidades e de interesses. A sociedade tampouco nos liga, pois está repleta de pessoas simplórias que só dizem frivolidades, ou de vaidosos que fingem saber o que não sabem.Talvez não devamos zombar do matuto que, no conto-título, vai até o cartório pedir uma Certidão Negativa de Óbito para provar que está vivo. Seres esmagados pelo peso das frustrações e das tristezas, pela falta de sentido da vida, pela es-cassez de oportunidades, pela iminência da morte – por uma realidade, enfim, que nos é hostil, será que não estamos todos enterrados vivos?Rodrigo César Dias
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